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Como aumentar o rendimento da criança na escola

Antigamente, o contato dos pais com os professores era restrito a três ocasiões por ano: no primeiro e no último dia de aula e quando o filho trazia notas baixas no “comportamento” ou na “aplicação”. Além desse contato, havia, quando muito, uma troca de recados com os professores, que eram enviados por intermédio da criança.

As mudanças no campo pedagógico levaram a escola a procurar uma aproximação maior entre pais e professores. Uma das formas encontradas para manter essa relação foram as Associações de Pais e Mestres (APM), que são verdadeiras organizações formadas por uma diretoria, conselho e estatutos. Em geral, o conselho que administra a Associação é formado pelo diretor da escola, professores e por pais escolhidos através de eleição. Mas, mesmo que não haja APM, há contatos periódicos com a família, em reuniões programadas pela escola.

VANTAGENS DAS REUNIÕES

As primeiras reuniões, no começo do ano, preocupam-se em promover o entrosamento entre pais e mestres. Alguns pais, por timidez, não se manifestam; outros se interessam apenas quando a criança apresenta um problema. E muitos pais têm dificuldades ou reagem negativamente aos métodos modernos de ensino, criticando as formas de trabalho da escola, lembrando-se apenas da experiência que tiveram quando estudantes. Isso porque as pessoas tendem a reagir frente ao que é novo, sobretudo quando se trata da educação dos filhos.

Depois que pais e professores começam a se conhecer melhor, a cooperação fica mais fácil. Sem esse contato frequente, mesmo os pais muito interessados não têm uma ideia muito clara dos objetivos da escola. É por isso que uma das finalidades das reuniões é explicar o tipo de orientação adotada. Aliás, é importante que isso seja visto antes de a criança ser matriculada na escola, pois, se a orientação da escola for uma, e a de casa outra, a criança se sentirá dividida e certamente terá problemas.

Durante as reuniões, portanto, os professores expõem os programas de cada curso e os planos de estudo, para que os pais não só acompanhem o trabalho da criança, mas tenham uma visão global do que ela vai aprender.

Nas reuniões, além das dificuldades gerais dos pais na educação dos filhos e os problemas comuns do desenvolvimento infantil, também se colocam os problemas particulares. Se eles forem muito específicos da criança, serão discutidos depois, em particular, com o professor ou o orientador.

Esse contato traz vantagens não só para os pais como para os professores, que ficam sabendo das dificuldades diárias do comportamento e atitudes da criança também fora da escola. Isso é muito útil, porque em diversas circunstâncias — como nas classes onde há muitas crianças, por exemplo — o professor não tem condições de sentir os problemas individuais.

AVALIAÇÃO E BOLETIM

Os pais são colocados a par do rendimento da criança através da avaliação, que é o critério mais moderno do antigo “boletim”.

A avaliação não visa a estabelecer apenas se o aluno será ou não aprovado, mas, em primeiro lugar, verificar como estão sendo atingidos os objetivos do curso, tanto da parte do aluno como do professor.

Se a avaliação mostrar que os alunos não assimilaram bem determinado assunto, é sinal de que algo precisa ser mudado. Os motivos podem variar desde insuficiência na preparação do grupo até técnicas de ensino inadequadas. A partir dessa constatação, o professor planeja novamente as atividades eliminando os problemas.

Embora preso ao ensino antigo, o critério de aproveitamento do aluno através de notas continua sendo usado em algumas escolas, principalmente pela dificuldade de acompanhar o aproveitamento de cada aluno em particular. Em função da nota, o aluno passa para outra série ou, antes disso, passa por um “reforço”, com aulas suplementares. Algumas escolas encarregam-se de dar essas aulas ;— chamadas de “recuperação” —, quando julgam que o aluno precisa delas. Outros aconselham os pais a darem o reforço em casa, geralmente com aulas particulares. Embora a função do reforço seja evitar que o aluno seja reprovado, a equipe da escola pode julgar mais conveniente reter o aluno na mesma série. O fato é comunicado à criança e aos pais e encarado não como um castigo, mas como uma forma de ajudar o aluno, já que ele teria dificuldade em seguir o curso.

Há escolas que usam um sistema misto. Além da nota, fazem-se avaliações qualitativas, que levam em conta as aptidões e dificuldades pessoais da criança. A avaliação final, portanto, baseia-se em muitos elementos: provas, testes, exercícios, observação do comportamento da criança pelo professor e orientador educacional e, eventualmente, conversas e entrevistas com o aluno e seus pais. Essas entrevistas também têm por finalidade conhecer os hábitos e atividades da criança na família, descobrindo problemas fora da escola que possam interferir no rendimento do aluno.
Assim, quando há esse tipo de avaliação, a nota passa a ter um valor bastante relativo, pois considera-se também o esforço do aluno para atingi-la ou melhorá-la. Não se dá tanta importância apenas ao resultado obtido, mas à forma de chegar a ele. Numa prova de matemática, por exemplo, mesmo que o resultado final não seja satisfatório, considera-se o raciocínio da criança para resolver o problema. Embora ela tenha falhado em algum ponto, por distração ou falta de treino, será possível avaliar onde e por que a criança errou.

Por isso, a causa de uma nota baixa só pode ser encontrada estudando-se a avaliação. As formas de avaliar variam em cada escola: algumas consideram detalhadamente o desempenho da criança em cada matéria, enquanto outras usam um julgamento mais global.

Nas escolas que aplicam métodos mais modernos, a própria nota foi abolida. Para algumas áreas usa-se o critério satisfatório ou insatisfatório. Para outras matérias, há cinco conceitos: superior (S), médio-superior (MS), médio-inferior (MI) e inferior (I), e médio, que é o padrão da classe. Quando um conceito inferior ao médio se repete muito, pais e professores se reúnem para descobrir os motivos.

ORIENTAÇÃO INDIVIDUAL

Orientador pedagógico e orientador educacional são duas funções relativamente novas no ensino, mas utilizadas em diversas escolas.

O orientador pedagógico é um especialista que supervisiona e coordena o trabalho dos professores, que assim empenham-se nos mesmos objetivos e não apenas desenvolvem áreas isoladas, como ocorria nas escolas tradicionais. Ele presta assistência constante aos professores, verificando se os objetivos do currículo foram atingidos, pesquisando os resultados dos métodos e dando sugestões para melhorá-los, ou para descobrir as falhas e tratar de saná-las.

Paralelamente a esse trabalho está o do orientador educacional, que focaliza a área do comportamento, isto é, das relações entre alunos e professores, e a dos problemas da criança que dificultam sua integração. Portanto, ele é um elo entre o lar e a escola, sendo a pessoa mais indicada para os pais procurarem, quando têm dúvidas ou problemas relativos ao filho. Se a escola não tem orientador pedagógico, o orientador educacional acumula as duas funções.

Uma forma de os pais acompanharem melhor o aproveitamento do filho na escola é esforçar-se por sentir seus problemas como aluno.

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