A redação do Enem e a lógica

Já vimos que todo procedimento discursivo destinado a aumentar o grau de adesão de um auditório à tese defendida por um texto pode ser considerado um recurso argumentativo.

Na atividade publicada no nosso blog de redação, abordamos o repertório cultural a que um enunciador pode recorrer para dar sustentação à sua posição; agora, passamos a examinar as principais maneiras de articular logicamente esses dados de modo a que todos eles conduzam à conclusão desejada.

Para convencer e persuadir, não basta ter a competência de selecionar os argumentos mais apropriados para a discussão da questão posta em debate, ou seja, os dados mais relevantes e de maior impacto para o público, é preciso ainda conseguir relacioná-los convenientemente, dando-lhes uma só orientação. Em outras palavras, é preciso articular as ideias para que o texto ganhe direcionalidade, um sentido unitário, do início ao fim, pondo todos os seus elementos a serviço de um só objetivo: criar a impressão de que a tese defendida é a mais aceitável, a que melhor serve à defesa dos valores da coletividade.

E também assim que o enunciador revela ter controle de seu discurso e uma intenção clara, mostra ser alguém dotado de objetividade, que sabe aonde pretende chegar com seu discurso e que “não gasta munição à toa”, “não deixa ponto sem nó”. E por isso que se pode dizer que a articulação lógica é também um argumento, talvez o mais fundamental para o sucesso de um texto, já que colabora decisivamente para o convencimento do público.

Como fazer uma redação perfeita no Enem

A célebre definição “o homem é um animal racional” é mais um legado dos gregos para a cultura ocidental. Quando Aristóteles assim definiu o homem, ele não apenas estava afirmando que a razão é uma propriedade universal, que está presente em todos os homens, mas também que a razão opera em todo e qualquer homem segundo os mesmos princípios, ou seja, que o pensamento tem regras de funcionamento, possui uma lógica.

No discurso científico, a lógica está na base da distinção entre o verdadeiro e o falso, é ela que garante que dois homens diferentes, partindo de dados idênticos, possam chegar a uma mesma conclusão, mesmo que estejam separados um do outro pelo tempo ou pelo espaço. No texto de um cientista, busca-se a demonstração, e a lógica opera como uma garantia de verdade, assegurando que um certo raciocínio é evidente para o pensamento de todos.

É verdade que, no âmbito da argumentação (como você pode ver no curso para fazer redação perfeita), a noção de evidência cede lugar à de aceitabilidade, mas isso não torna a lógica dispensável. Se, no decorrer do percurso argumentativo, forem desrespeitados os preceitos lógicos, as conclusões parecerão indevidas ou injustificadas, criando uma sensação de falta de sentido, de gratuidade ou até mesmo de descontrole e irracionalidade. É claro que assim será muito difícil sustentar a crença de que é aquele o discurso que mais tem razão sobre o tema que se propõe a discutir.

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